A mudança de rumo, contrariando posições anteriores do PSD e em alguns casos até da actual Direcção como, por exemplo, em matéria de referendo ao novo tratado da União Europeia, baixa de impostos, lei eleitoral autárquica, calendário eleitoral para 2009, ou regulamentos internos, revelaram-se demasiado fracturantes, quer dentro do PSD, quer junto do seu eleitorado tradicional.
Luís Filipe Menezes vem agora queixar-se dos opositores internos. Com que legitimidade, quando andou dois anos a fazer oposição a Marques Mendes, então presidente do PSD? Em Abril de 2007, menos de um ano após o congresso que tinha eleito Marques Mendes, Filipe Menezes afirmou em entrevista ao Jornal Oeste que "Se houvesse eleições hoje para a liderança do meu partido eu seria candidato mas não tenho nada contra o líder do meu partido". Será isto muito diferente do que afirmaram Pedro Passos Coelho e Aguiar Branco nas últimas semanas?
A unidade tão desejada por Filipe Menezes e que, de facto o PSD tanto precisa, só pode ser construída com uma liderança forte, responsável, coerente, competente, respeitadora e respeitada. Uma liderança que saiba encontrar na diferença de opiniões, no debate de ideias e na reflexão os contributos necessários para decisões geradoras de consensos que voltem a unir a família social-democrata, em torno de um projecto mobilizador para o PSD e para Portugal.
Luís Filipe Menezes não deu, nestes 6 meses, provas de ser capaz de unir o Partido, bem pelo contrário, razão pela qual a sua demissão era inevitável.
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2008-04-18
2008-03-14
Devolver o PSD aos seus militantes
Desde as legislativas de 1991, ano em que o PSD teve perto de 3 milhões de votos e mais de 50% e, com excepção das legislativas de 2002, o PSD tem vindo, eleição após eleição (1995, 1999 e 2005), a perder votos e a ver diminuir a sua percentagem em eleições legislativas. Nas últimas eleições, o PSD teve pouco mais de 1,5 milhões de votos e menos de 30%. Ou seja, em menos de 15 anos o PSD perdeu metade do seu eleitorado. Mesmo em 2002, em eleições ganhas pelo PSD, o partido teve pouco mais de 2 milhões de votos.
No período pós Cavaco Silva, o PSD teve 6 presidentes, em 12 anos (1995 a 2007), o que dá uma média de 2 anos por Presidente, ou seja, metade de uma legislatura.
Enquanto perdia votos e peso na sociedade portuguesa, o número de militantes aumentou de forma significativa, tendo hoje mais de 100.000 militantes inscritos. Como é que um Partido perde influência no país e em simultâneo o número dos seus militantes cresce de forma significativa?
Cresce para se ganharem eleições internas em núcleos, secções, distritais, ... , à custa de militantes a quem são pagas as quotas para pura e simplesmente votarem. São sindicatos de voto, constituídos por militantes sem qualquer participação activa. Os militantes activos, que conhecem, se identificam e defendem o património, os valores e as políticas do PSD, são hoje uma minoria dentro do partido. Desmotivados, desmobilizados e incapazes de ganharem eleições dentro do seu próprio partido, contra estes sindicatos de voto.
As recentes alterações aos regulamentos do PSD só vêm facilitar este tipo de práticas, dando ainda mais poder aos donos dos sindicatos de voto.
Serão esses mesmos donos que, no dia em que entenderem que não será com Filipe Menezes que irão manter ou conquistar os seus empregos, o farão cair, como fizeram com Marques Mendes, com a complacência de muitos daqueles que agora se insurgem contra as alterações aos regulamentos, propostas com toda a legitimidade por Filipe Menezes.
A questão que importa não é a substituição de Filipe Menezes. O verdadeiro desafio é devolver o PSD aos SEUS MILITANTES. Isso só será possível com uma liderança forte, competente e credível, capaz de mobilizar os militantes activos para esse desafio.
No período pós Cavaco Silva, o PSD teve 6 presidentes, em 12 anos (1995 a 2007), o que dá uma média de 2 anos por Presidente, ou seja, metade de uma legislatura.
Enquanto perdia votos e peso na sociedade portuguesa, o número de militantes aumentou de forma significativa, tendo hoje mais de 100.000 militantes inscritos. Como é que um Partido perde influência no país e em simultâneo o número dos seus militantes cresce de forma significativa?
Cresce para se ganharem eleições internas em núcleos, secções, distritais, ... , à custa de militantes a quem são pagas as quotas para pura e simplesmente votarem. São sindicatos de voto, constituídos por militantes sem qualquer participação activa. Os militantes activos, que conhecem, se identificam e defendem o património, os valores e as políticas do PSD, são hoje uma minoria dentro do partido. Desmotivados, desmobilizados e incapazes de ganharem eleições dentro do seu próprio partido, contra estes sindicatos de voto.
As recentes alterações aos regulamentos do PSD só vêm facilitar este tipo de práticas, dando ainda mais poder aos donos dos sindicatos de voto.
Serão esses mesmos donos que, no dia em que entenderem que não será com Filipe Menezes que irão manter ou conquistar os seus empregos, o farão cair, como fizeram com Marques Mendes, com a complacência de muitos daqueles que agora se insurgem contra as alterações aos regulamentos, propostas com toda a legitimidade por Filipe Menezes.
A questão que importa não é a substituição de Filipe Menezes. O verdadeiro desafio é devolver o PSD aos SEUS MILITANTES. Isso só será possível com uma liderança forte, competente e credível, capaz de mobilizar os militantes activos para esse desafio.
2008-01-23
Menezes refém da redução dos impostos
Em entrevista à SIC Notícias, Filipe Menezes anunciou que o PSD iria preparar uma proposta de redução de impostos para ser apresentada daqui a 3 ou 4 meses. Este é o mesmo Filipe Menezes que, faz agora 3 meses, nas directas para a eleição do Presidente do PSD, disse repetidamente que a proposta de Marques Mendes para reduzir os impostos era irresponsável e que Portugal não estava ainda em condições para se avançar com tal medida.
Filipe Menezes tem agora uma dificuldade.
Se avança com a proposta de redução de impostos, estará implicitamente a reconhecer o sucesso da política económica do governo socialista e a demonstrar inconsistência, ao mudar de posição em menos de 6 meses.
Se não avançar, face a decisões recentes de países como os EUA e Alemanha e com o aproximar das legislativas, corre o risco de ver José Sócrates anunciar a redução de impostos.
Nesta matéria, diria a Filipe Menezes: mais vale reconhecer o erro, recuperar a proposta de Marques Mendes e assumir a redução de impostos.
Filipe Menezes tem agora uma dificuldade.
Se avança com a proposta de redução de impostos, estará implicitamente a reconhecer o sucesso da política económica do governo socialista e a demonstrar inconsistência, ao mudar de posição em menos de 6 meses.
Se não avançar, face a decisões recentes de países como os EUA e Alemanha e com o aproximar das legislativas, corre o risco de ver José Sócrates anunciar a redução de impostos.
Nesta matéria, diria a Filipe Menezes: mais vale reconhecer o erro, recuperar a proposta de Marques Mendes e assumir a redução de impostos.
2008-01-17
O exercício do contraditório ou o contraditório do exercício (Parte II)
Em Outubro de 2004, quando Rui Gomes da Silva, apoiado por Santana Lopes, veio exigir o direito ao exercício contraditório relativamente à intervenção de Marcelo Rebelo de Sousa, afirmei que quem queria calar Marcelo corria o risco de ser calado. Três meses depois, caiu o governo de Santana Lopes.
Passados 4 anos, os mesmos protagonistas, agora liderados por Filipe Menezes, voltam a exigir o direito ao exercício do contraditório, envolvendo Marcelo Rebelo de Sousa e Pacheco Pereira.
Meu caro Luís Filipe Menezes, a política e o debate político na comunicação social não se esgotam nos partidos e muito menos na disputa entre o partido do governo e o maior partido da oposição. Felizmente, temos Marcelos e Pachecos e se hoje temos António Vitorino a defender o governo de forma ortodoxa, todas as segundas-feiras, podemos agradecer a Rui Gomes da Silva e a Santana Lopes.
Mas se quer propor alguma coisa nesta matéria, então proponha a substituição de António Vitorino por uma figura da esquerda com a dimensão e a liberdade de Marcelo Rebelo de Sousa, até porque, tirando os socialistas, já ninguém tem pachorra para ouvir o António Vitorino.
Passados 4 anos, os mesmos protagonistas, agora liderados por Filipe Menezes, voltam a exigir o direito ao exercício do contraditório, envolvendo Marcelo Rebelo de Sousa e Pacheco Pereira.
Meu caro Luís Filipe Menezes, a política e o debate político na comunicação social não se esgotam nos partidos e muito menos na disputa entre o partido do governo e o maior partido da oposição. Felizmente, temos Marcelos e Pachecos e se hoje temos António Vitorino a defender o governo de forma ortodoxa, todas as segundas-feiras, podemos agradecer a Rui Gomes da Silva e a Santana Lopes.
Mas se quer propor alguma coisa nesta matéria, então proponha a substituição de António Vitorino por uma figura da esquerda com a dimensão e a liberdade de Marcelo Rebelo de Sousa, até porque, tirando os socialistas, já ninguém tem pachorra para ouvir o António Vitorino.
2008-01-10
Obrigado, Marques Mendes
Ao anunciar a decisão de construção do novo aeroporto internacional de Lisboa no campo de tiro de Alcochete, o governo revelou coragem e bom senso e Portugal fica a ganhar. Mas Portugal fica também com um dívida de enorme gratidão ao Dr. Marques Mendes que, com enorme sentido de estado e responsabilidade, conseguiu, contra tudo e contra todos, voltar a colocar o assunto em discussão e forçar o governo reequacionar a sua decisão a avançar com o estudo do LNEC. Bem haja Dr. Marques Mendes. Obrigado.
Se não fosse Marques Mendes, muito provavelmente estaríamos a assistir a uma outra cerimónia: a primeira pedra do novo aeroporto, na Ota.
Se não fosse Marques Mendes, muito provavelmente estaríamos a assistir a uma outra cerimónia: a primeira pedra do novo aeroporto, na Ota.
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